Medida responde a aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave e libera recursos extras para reforçar atendimento no estado
Por que o Amapá inteiro entrou em situação de emergência sanitária este mês? A resposta está no crescimento expressivo de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, a SRAG, registrado nas últimas semanas em Macapá, Santana e outros municípios do estado. Diante do avanço da doença, o Secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil reconheceu, por meio de portaria publicada em 6 de julho, a situação de emergência nos 16 municípios amapaenses, medida que segue um decreto estadual assinado três dias antes pelo governo do Amapá.
A decisão federal tem como base o Decreto nº 4.864, do governo estadual, e um processo administrativo aberto para formalizar o reconhecimento. A classificação do evento segue o código da Classificação e Codificação Brasileira de Desastres referente a doenças infecciosas virais, uma categoria que autoriza a mobilização de recursos extras e a adoção coordenada de ações de resposta, prevenção e controle pelos órgãos estaduais e municipais de saúde e defesa civil.
Quais municípios foram afetados e o que motivou a medida
A portaria federal contempla a totalidade dos municípios do Amapá, incluindo a capital, Macapá, além de Calçoene, Cutias, Ferreira Gomes, Itaubal, Laranjal do Jari, Mazagão, Oiapoque, Pedra Branca do Amapari, Porto Grande, Pracuúba, Santana, Serra do Navio, Tartarugalzinho e Vitória do Jari. A abrangência estadual mostra que o problema não ficou restrito à região metropolitana de Macapá, tradicionalmente a mais populosa, e se espalhou também por municípios do interior e da fronteira com a Guiana Francesa.
Segundo dados divulgados no início de junho, o estado já vinha registrando aumento contínuo de internações por SRAG havia algumas semanas. Na Semana Epidemiológica 21 deste ano, foram contabilizadas cerca de 184 internações pela síndrome, sendo 24 pacientes encaminhados para unidades de terapia intensiva. Entre os agentes causadores identificados pelas autoridades de saúde estão a Influenza A, o vírus sincicial respiratório, o rinovírus, o adenovírus e o metapneumovírus, uma combinação de vírus respiratórios que costuma circular com mais intensidade durante mudanças de estação.
Grupos mais afetados e o que muda no atendimento à população
Os dados epidemiológicos mostram um padrão que preocupa especialmente famílias com crianças pequenas e pessoas idosas. Crianças de até quatro anos estão entre as mais atingidas pelo vírus sincicial respiratório, enquanto a Influenza A tem provocado o maior número de casos graves e óbitos entre pessoas com mais de 65 anos, o que reforça a orientação das autoridades de saúde para que esses grupos priorizem a vacinação contra a gripe disponível na rede pública.
Com o reconhecimento federal da emergência, o governo do Amapá ganha respaldo para intensificar ações que já estavam em curso desde o decreto estadual, como reforço na vacinação contra influenza, busca ativa de pessoas com sintomas respiratórios e ampliação do monitoramento epidemiológico nos 16 municípios. A medida também facilita o acesso a recursos federais adicionais, que podem ser direcionados para ambulâncias, transporte de pacientes e reforço em unidades de saúde da capital e do interior.
Para a população amapaense, a recomendação das autoridades de saúde permanece a mesma repassada desde o início do surto: procurar unidades de saúde ao notar sintomas respiratórios persistentes, manter a carteira de vacinação em dia, principalmente entre crianças e idosos, e adotar cuidados básicos de higiene em ambientes fechados, já que a transmissão desses vírus costuma se intensificar em espaços com maior aglomeração de pessoas.
Fontes: ConectAmapa | A Gazeta do Amapá | ac24horas | g1 Amapá