Pesquisa aponta Dr. Furlan disparado na frente na disputa pelo governo do Amapá

Diego Velázquez
8 Min de leitura

Levantamento da Paraná Pesquisas mostra ex-prefeito de Macapá com 65,5% das intenções de voto contra Clécio Luís, que tenta a reeleição

Quem deve comandar o Palácio do Setentrião a partir de 2027? Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira, 21 de julho, pela Paraná Pesquisas indica que o ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan, mais conhecido como Dr. Furlan, do PSD, lidera com folga a corrida ao governo do Amapá, com 65,5% das intenções de voto no cenário de primeiro turno. O atual governador, Clécio Luís, do União Brasil, aparece em segundo lugar, com 26,3%, enquanto o nome de Marcos Reategui, do PSD, testado em outro cenário, soma apenas 0,5%.

A distância entre os dois principais nomes chama atenção justamente por se tratar de uma disputa entre um governador em exercício e um ex-prefeito que deixou o cargo há poucos meses para poder concorrer. Para analistas locais, o resultado reforça um padrão observado em outras eleições estaduais recentes, em que prefeitos de capitais com boa avaliação conseguem transferir parte do capital político acumulado no município para uma candidatura de maior alcance.

Os números da pesquisa e o cenário de segundo turno

O levantamento ouviu 1.100 eleitores em 14 municípios do Amapá entre os dias 18 e 20 de julho, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e grau de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AP-02651/2026 e foi contratada pela empresa Sedek Serviços, Tecnologia e Informação, responsável por bancar o levantamento no valor de 45 mil reais.

Em um possível cenário de segundo turno entre os dois principais nomes, Furlan mantém vantagem semelhante à do primeiro turno, com 66% das intenções de voto contra 26,7% de Clécio Luís. A manutenção da diferença em ambos os cenários testados é um dos pontos que mais chamam atenção de analistas eleitorais, já que segundos turnos costumam reduzir distâncias, à medida que o eleitorado do terceiro colocado se redistribui entre os dois finalistas.

Avaliação do governo e o peso da investigação sobre Furlan

Apesar da distância registrada na disputa direta entre os dois principais candidatos, a pesquisa também trouxe um dado que chama atenção: a gestão de Clécio Luís é aprovada por 53,3% dos eleitores amapaenses, contra 44,5% de desaprovação. Quando questionados diretamente sobre a administração estadual, 38,8% classificam o governo como ótimo ou bom e 31,7% como regular, um retrato que mostra um governador com avaliação positiva, mas ainda distante do favoritismo eleitoral apontado pelo levantamento.

Do outro lado, a pré-candidatura de Dr. Furlan carrega um fator de risco que pode alterar o quadro nos próximos meses. Ele é alvo de uma investigação da Polícia Federal sobre supostas irregularidades em contratos ligados à construção do Hospital Geral Municipal e à maternidade da zona norte de Macapá, apurações associadas à chamada Operação Paroxismo. A apuração já resultou em busca e apreensão na residência do prefeito, com recolhimento de celulares dele e de pessoas próximas, além de suspeita de desvio de cerca de nove milhões de reais na obra.

Como ficam as chapas e o que esperar até outubro

Mesmo sob investigação, Furlan avançou nas articulações político-partidárias e formalizou como vice-governadora a ex-deputada estadual Luciana Gurgel, do PL, esposa do deputado federal Vinícius Gurgel. Já o governador Clécio Luís confirmou a permanência do atual vice-governador Teles Júnior, do PDT, na chapa de reeleição, mantendo a aliança política que sustenta seu governo desde 2023 e que conta com apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, principal liderança política do estado.

A pré-candidatura de Furlan ainda enfrentou uma tentativa do Ministério Público Eleitoral do Amapá de condicionar o registro de sua candidatura à conclusão de uma ação sobre sua elegibilidade, mas o Tribunal Regional Eleitoral extinguiu o pedido horas depois, por considerar a via escolhida inadequada. Analistas locais avaliam que o caso deve voltar a ser discutido ao longo da campanha, já que qualquer decisão judicial futura sobre a elegibilidade do ex-prefeito pode mudar significativamente o cenário mostrado pela pesquisa mais recente.

Vale lembrar que o Amapá já viveu situação parecida em 2010, quando um favorito nas pesquisas viu a candidatura perder força ao longo da campanha após revelações de uma investigação que ficou conhecida como Operação Mãos Limpas. O episódio é citado por comentaristas políticos locais como um alerta de que favoritismo isolado, medido meses antes da eleição, nem sempre se sustenta até a votação, especialmente quando existe um processo judicial em aberto contra o candidato mais bem colocado.

O calendário eleitoral e os próximos passos da campanha

Entre agosto e setembro, os partidos precisam concluir suas convenções e oficializar o registro das candidaturas junto à Justiça Eleitoral, etapa que deve testar a força das alianças anunciadas nas últimas semanas. É nesse período que costuma ficar mais claro se coligações informais resistem à pressão de acordos regionais, já que vereadores e prefeitos de municípios menores tendem a declarar apoio público a um dos dois grupos somente perto do prazo final de filiação partidária.

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, por sua vez, só começa a valer a partir de agosto, quando os candidatos passam a ter tempo garantido para apresentar propostas de governo a um público mais amplo do que o alcançado até aqui pelas redes sociais e pelos eventos de rua. Especialistas em comunicação política avaliam que esse período tende a ser decisivo para o atual governador, que precisa reverter a distância apontada pela pesquisa recorrendo à máquina pública e à exposição institucional que o cargo ainda garante até o fim do mandato.

Com o primeiro turno previsto para 4 de outubro, o Amapá se prepara para uma disputa que reúne um favorito nas pesquisas sob investigação criminal e um governador bem avaliado, mas ainda distante nos números. O desfecho dessa combinação deve continuar sendo acompanhado de perto tanto pelo eleitorado quanto pelos partidos que disputam espaço na política estadual nos próximos meses.

Fontes: Poder360 | Metrópoles | ConectAmapa | Paraná Pesquisas

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