Disputa pelo Senado no Amapá em 2026 reúne senadores, ex-governador e vice-governador

Diego Velázquez
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Com duas vagas em jogo, corrida eleitoral amapaense mistura nomes tradicionais e novas candidaturas rumo a outubro.

A corrida pelas duas vagas do Senado Federal pelo Amapá promete ser uma das mais disputadas da história recente do estado. Com a eleição marcada para 4 de outubro, o cenário reúne o atual líder do governo Lula no Senado, a presidente da Assembleia Legislativa do Amapá, um ex-governador que avalia retornar à disputa e até o vice-governador do estado, que entrou na corrida após a desistência de um nome mais tradicional da política local. Mas quem são, afinal, os principais postulantes às cadeiras hoje ocupadas por Randolfe Rodrigues e Lucas Barreto? E por que essa disputa é considerada mais fragmentada do que a corrida pelo governo estadual? Entenda os principais movimentos registrados nas últimas semanas.

Os nomes que já confirmaram pré-candidatura

Em busca da reeleição, o senador Randolfe Rodrigues (PT) aparece entre os principais nomes da disputa, segundo levantamentos divulgados nos últimos meses. Ele deve disputar a preferência do eleitorado com a ex-primeira-dama de Macapá, Rayssa Furlan (PSD), que figura entre os postulantes mais lembrados nas pesquisas realizadas até o momento. A presença de Furlan na corrida é vista como um sinal de que a disputa deve extrapolar os limites tradicionais entre partidos que já ocupavam o Senado pelo estado.

Outro movimento relevante veio da presidente da Assembleia Legislativa do Amapá, Alliny Serrão (União Brasil), que confirmou recentemente sua pré-candidatura ao Senado. Ex-vereadora de Laranjal do Jari, ela pertence a uma das famílias politicamente mais influentes do sul do estado e vem consolidando projeção estadual desde que assumiu a presidência da Casa Legislativa. Sua entrada na disputa fortalece o campo político ligado ao União Brasil e amplia ainda mais a concorrência pelas duas vagas disponíveis, em um cenário que já reunia nomes como o deputado federal Junior Favacho, do MDB, que busca ampliar sua influência política a partir da atuação consolidada na Câmara dos Deputados.

A entrada do vice-governador e o fator Capiberibe

Um dos movimentos mais recentes veio do vice-governador Teles Júnior (PDT), que surge como uma das novidades da disputa. Seu nome foi indicado pelo partido depois que o ex-governador e atual ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, decidiu permanecer no governo federal e desistir de concorrer ao Senado. A candidatura de Teles Júnior tem o apoio do grupo político liderado por Waldez, o que deve reorganizar alianças dentro do PDT amapaense nos próximos meses.

O cenário eleitoral também pode ganhar um ingrediente adicional caso o ex-governador e ex-senador João Alberto Capiberibe (PSB) confirme seu retorno às urnas. Em maio, Capiberibe anunciou que tomaria uma decisão definitiva sobre sua participação na disputa ainda em julho. Caso confirme a candidatura, ele acrescenta ao pleito uma das trajetórias políticas mais conhecidas do estado, reunindo experiência administrativa e forte identificação com parte do eleitorado amapaense, o que poderia reconfigurar as alianças em torno das duas vagas em disputa.

Por que a disputa é considerada mais fragmentada

Diferentemente da corrida pelo governo estadual, que tende a caminhar para uma polarização entre poucos grupos políticos, a disputa pelo Senado no Amapá apresenta um quadro mais fragmentado, no qual diferentes forças buscam ocupar espaço próprio. Essa característica se explica, em parte, pelo número de vagas em jogo: com duas cadeiras disponíveis, partidos que normalmente disputariam entre si passam a calcular alianças que permitam viabilizar mais de um nome na chapa majoritária.

Enquanto isso, a Assembleia Legislativa do Amapá encerrou o primeiro semestre legislativo de 2026 com a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027, sob condução da própria Alliny Serrão, hoje pré-candidata ao Senado. A Casa entrou em recesso parlamentar entre 1º e 31 de julho, mantendo apenas o funcionamento de setores administrativos, o que deve dar aos parlamentares mais tempo para articulações eleitorais antes do período de definição oficial das candidaturas, previsto para o segundo semestre do ano.

Nos próximos meses, alianças partidárias, decisões sobre candidaturas majoritárias e o desempenho dos pré-candidatos em novas pesquisas deverão influenciar diretamente a configuração final dessa disputa. Com nomes de diferentes gerações e correntes políticas na corrida, o eleitor amapaense terá à sua frente um leque amplo de opções para as duas vagas do Senado. O desfecho, ainda incerto, deve se desenhar de forma mais clara à medida que o calendário eleitoral avança rumo a outubro.

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