Unidade de Porte 3 vai atender bairros populosos da capital e ajudar a reduzir a sobrecarga do Hospital de Emergência.
A Zona Oeste de Macapá está prestes a ganhar uma estrutura de saúde que pode mudar a rotina de quem precisa de atendimento de urgência na região. As obras da primeira Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Porte 3 da área, erguida na Rodovia Duca Serra, no bairro Marabaixo II, já ultrapassaram 70% de execução, segundo o Governo do Amapá. A entrega está prevista para julho, um marco aguardado por moradores de bairros como Marabaixo, Goiabal e Cabralzinho, além de municípios vizinhos como Santana e Mazagão. Mas o que muda, na prática, para quem depende do SUS na capital amapaense? A resposta passa por descentralização do atendimento, redução de filas no Hospital de Emergência e um investimento de quase R$ 9,9 milhões que já gerou trabalho para mais de 130 profissionais da construção civil. A seguir, os detalhes do andamento da obra e o que ela representa para a saúde pública do estado.
Como está o andamento da obra
Com a estrutura externa totalmente concluída, a UPA da Zona Oeste entrou na fase de fechamento das paredes internas. As equipes utilizam o sistema de drywall, técnica que substitui a alvenaria tradicional por estruturas de aço galvanizado revestidas com placas de gesso acartonado. O método acelera a execução e reduz o desperdício de material de construção, o que ajuda a explicar o ritmo acelerado observado nos últimos meses. Ao mesmo tempo, avançam as instalações de redes elétrica, hidráulica, de iluminação e de gases medicinais, etapas essenciais para que a unidade funcione com segurança assim que for entregue à população.
O investimento total na obra soma quase R$ 9,9 milhões, com recursos do Tesouro Estadual e de uma emenda parlamentar do ex-deputado federal Camilo Capiberibe. O canteiro de obras também tem impacto direto na economia local: a estimativa é de que mão de obra e serviços terceirizados cheguem a 130 colaboradores ao longo das etapas, entre engenheiros, mestres de obra, pedreiros, eletricistas, encanadores e equipes de limpeza e vigilância. A unidade também vai contar com painéis termoacústicos, conhecidos como painéis sanduíche, que ajudam no conforto térmico em uma região de clima quente e úmido durante boa parte do ano.
Por que essa UPA é estratégica para Macapá
A classificação como unidade de Porte 3 significa que a nova UPA terá a maior estrutura prevista para esse tipo de estabelecimento de média complexidade. Isso se traduz em mais leitos de observação, tanto para adultos quanto para o público pediátrico, permitindo que pacientes fiquem monitorados por até 24 horas antes de receber alta ou serem transferidos para um hospital de retaguarda. A escolha da localização não é aleatória: a região abrange bairros densamente povoados e deve crescer ainda mais com o avanço do eixo de ligação entre Macapá, Santana e Mazagão, o que reforça a necessidade de uma estrutura de maior porte.
Somada às unidades já em operação nas Zonas Norte e Sul da capital, a nova UPA fecha um ciclo de descentralização do atendimento de urgência e emergência em Macapá. O objetivo declarado pelo Governo do Estado é diminuir o fluxo de pacientes que hoje precisam se deslocar até o Hospital de Emergência (HE) para casos que poderiam ser resolvidos localmente. Na prática, isso deve significar menos tempo de espera e menos distância percorrida por quem vive em bairros como Marabaixo, historicamente distantes das principais estruturas de saúde da cidade.
O que a comunidade espera da nova unidade
Moradores da Zona Oeste acompanham de perto o avanço da obra. Lideranças comunitárias do bairro Marabaixo relatam que a região aguarda há anos por um equipamento de saúde próprio, já que grande parte dos atendimentos de urgência ainda depende do deslocamento até o centro de Macapá. A expectativa é que, com a nova UPA, essa dinâmica mude de forma definitiva, especialmente para famílias que não têm veículo próprio e dependem do transporte público para chegar às unidades de saúde já existentes.
A entrega da UPA da Zona Oeste também se insere em um pacote maior de investimentos em infraestrutura anunciado pelo Governo do Amapá para a capital, que soma mais de R$ 40 milhões aplicados desde 2023 em obras de saúde, mobilidade e segurança pública. Esse conjunto de entregas é apresentado pela gestão estadual como parte de um planejamento de médio prazo para atender ao crescimento populacional de Macapá e da região metropolitana, que já reúne mais de 560 mil pessoas.
A previsão de entrega em julho representa mais um passo dentro desse cronograma. Se cumprida, a data deve beneficiar diretamente moradores de Marabaixo, Goiabal e Cabralzinho, além de reforçar o atendimento de urgência para quem vive em Santana e Mazagão. O acompanhamento da obra segue sendo feito pela Secretaria de Estado da Infraestrutura, responsável também por outras entregas na área de saúde pública no estado. Para a população da Zona Oeste, o que restava como promessa começa, enfim, a ganhar forma concreta na paisagem da Rodovia Duca Serra.
Fontes consultadas: