Como precificar sem perder o cliente e sem perder dinheiro?

Diego Velázquez
7 Min de leitura
Dalmi Fernandes Defanti Junior

Como destaca Dalmi Fernandes Defanti Junior, fundador da Gráfica Print, precificar é uma das tarefas mais desafiadoras e, ao mesmo tempo, mais estratégicas para qualquer profissional criativo ou empresa do setor gráfico. Cobrar pouco compromete a sustentabilidade do negócio. Cobrar demais pode afastar clientes antes mesmo de uma negociação real. Entre esses dois extremos existe uma zona de equilíbrio que depende de cálculo correto, posicionamento claro e comunicação de valor eficiente. 

Confira a seguir os fundamentos práticos para construir uma política de preços que respeite os custos reais do negócio, valorize o trabalho entregue e ainda mantenha o cliente satisfeito com a relação entre investimento e resultado.

Por que a maioria dos profissionais cobra errado e nem percebe?

De acordo com Dalmi Fernandes Defanti Junior, o erro mais comum na precificação de serviços criativos e gráficos é calcular o preço com base apenas nos custos diretos e óbvios, ignorando uma série de despesas invisíveis que corroem a margem silenciosamente. O custo do material, da impressão ou do software utilizado é apenas a ponta visível de um iceberg que inclui tempo de gerenciamento, revisões não cobradas, deslocamentos, ferramentas, impostos, custos financeiros de parcelamentos e o próprio tempo de captação de novos clientes. Quando esses elementos não entram na conta, o preço final pode parecer competitivo mas é, na prática, prejuízo disfarçado de receita.

Outro equívoco frequente é precificar com base no que o concorrente cobra, sem entender a estrutura de custos ou o posicionamento de quem está sendo usado como referência. Um estúdio com dez anos de mercado, carteira consolidada e equipe especializada tem uma estrutura completamente diferente de um freelancer iniciante. Por isso, copiar o preço do mais barato para competir é uma estratégia que destrói margens; e copiar o preço do mais caro sem ter o posicionamento correspondente afasta clientes. O preço correto nasce do negócio, não da observação do mercado.

Segundo Dalmi Fernandes Defanti Junior, a falta de clareza sobre o valor entregue também contribui para o problema, visto que, quando o profissional não sabe comunicar com precisão o que o cliente ganha ao contratar aquele serviço específico, o preço vira o único argumento disponível na negociação. E num cenário em que o preço é o único fator em debate, sempre haverá alguém disposto a cobrar menos. A saída não é baixar o preço, mas elevar a percepção de valor.

Dalmi Fernandes Defanti Junior
Dalmi Fernandes Defanti Junior

Como calcular o preço real de um produto ou serviço gráfico?

O ponto de partida para uma precificação saudável é o mapeamento completo dos custos fixos e variáveis do negócio. Custos fixos incluem aluguel, salários, mensalidades de softwares, energia elétrica, contabilidade e qualquer despesa que exista independentemente do volume de trabalho. Custos variáveis incluem materiais, insumos de impressão, frete, comissões e tudo aquilo que cresce proporcionalmente à produção. Soma-se a isso uma margem de lucro real, não residual, que permita o crescimento, a reserva financeira e o reinvestimento no negócio.

Sobre esse custo calculado, Dalmi Fernandes Defanti Junior pontua que é necessário aplicar o fator de ociosidade: nenhum profissional ou empresa trabalha 100% do tempo disponível. Considerar que, na prática, apenas 60% a 70% das horas são efetivamente faturáveis é uma aproximação mais realista e que evita precificações que só funcionam em cenário ideal. Esse ajuste transforma a precificação de uma projeção otimista para um modelo sustentável no mundo real.

Como comunicar o preço sem perder o cliente e sem abrir mão da margem?

A comunicação do preço é tão importante quanto o cálculo que o gerou, em vista de que apresentar um valor sem contexto é deixar o cliente sem âncora para avaliar se aquilo é caro ou barato. A estratégia mais eficiente é apresentar o preço sempre acompanhado do que ele inclui, do problema que resolve e do resultado que entrega. Assim que o cliente entende que está pagando por um cartão-visita que vai representar a empresa nas próximas reuniões importantes, e não apenas por papel e tinta, a conversa muda de natureza.

Oferecer duas ou três opções de escopo com preços diferentes é uma técnica que reduz a objeção ao preço e aumenta a taxa de fechamento. Quando há apenas uma proposta, a decisão do cliente é sim ou não. Quando há três opções, a decisão vira qual. Conforme indica o fundador da Gráfica Print, Dalmi Fernandes Defanti Junior, essa mudança de enquadramento tira o foco do custo e o coloca no investimento mais adequado para cada momento do cliente.

Em síntese, saber dizer não para projetos que não são rentáveis é tão importante quanto saber fechar os que são. Aceitar qualquer trabalho a qualquer preço para não ficar sem projeto é uma armadilha que compromete o tempo, a energia e a capacidade de atender bem os clientes que realmente fazem sentido para o negócio. Posicionamento também se constrói a partir das negociações que se recusa a fechar.

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Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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